Dermatologia regenerativa ganha espaço ao tratar pele e cabelo além da estética

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A dermatologia tem ampliado o foco para além de mudanças imediatas na aparência e vem investindo em tratamentos que estimulam a capacidade natural de reparo do organismo. A dermatologista Ingrid Campos explica que a lógica atual não é apenas “apagar” sinais do tempo, mas trabalhar a saúde e a longevidade da pele com resultados mais consistentes ao longo do tempo.

Na prática, isso marca uma transição de procedimentos que priorizavam correções rápidas, como preencher rugas e recuperar volume de forma instantânea, para protocolos que buscam melhorar a qualidade do tecido cutâneo. “Saímos da era do anti-aging para o pro-aging”, afirma a médica, ao descrever a mudança de mentalidade dentro da dermatologia estética.

Intervenções focadas só no efeito visual, embora possam ter impacto imediato, nem sempre atuam na estrutura da pele. Com isso, o resultado tende a ser temporário e, quando há exagero, pode ficar artificial.

Tecnologia para estimular colágeno e melhorar a qualidade da pele

Com a chamada dermatologia regenerativa, o objetivo passa a ser estimular a própria pele a se reparar. Segundo Ingrid Campos, protocolos atuais podem incluir técnicas com componentes biológicos derivados do próprio organismo, além da associação de diferentes recursos, como lasers modernos, biorregeneradores e ativos biológicos ligados a processos de renovação cutânea.

Essas estratégias, em geral, buscam ativar células relacionadas à produção de colágeno e elastina e ajudar na reorganização do tecido. O efeito costuma aparecer de forma gradual, com melhora de firmeza, resistência e aspecto geral da pele.

A médica destaca que a proposta não é uma transformação brusca. “Uma das mudanças mais importantes é a busca por resultados naturais”, explica, ressaltando que o planejamento individualizado e o respeito às características de cada pessoa são decisivos para preservar a harmonia facial.

Foto: Freepik.

Queda de cabelo pode indicar desequilíbrios no corpo

O avanço dessa visão mais integrada também atinge o cuidado com os cabelos. A queda capilar, em muitos casos, pode ser um sinal de que algo no organismo não está funcionando bem — e não apenas um problema localizado no couro cabeludo.

Entre fatores frequentemente associados estão alterações hormonais (como problemas de tireoide, síndrome dos ovários policísticos, menopausa e níveis elevados de andrógenos), estresse prolongado com aumento de cortisol, inflamação crônica de baixo grau, anemias e deficiências nutricionais. Falta de ferro, vitamina D, zinco e biotina também pode entrar na conta. Além disso, alterações metabólicas e quadros pós-virais aparecem com frequência na rotina clínica.

Muitos pacientes chegam ao consultório após tentativas com soluções isoladas — como shampoos específicos, tônicos ou minoxidil. Esses recursos podem ter utilidade, mas nem sempre resolvem quando a origem do problema está em desequilíbrios sistêmicos.

Diagnóstico integrado e tratamento mais completo

Nesse contexto, a tricologia médica é usada para investigar a queda capilar com mais profundidade. A avaliação costuma envolver consulta clínica detalhada, exames laboratoriais e análise cuidadosa do couro cabeludo para identificar os fatores que influenciam o ciclo de crescimento dos fios.

Ingrid Campos ressalta que, em muitos casos, é preciso ir além das terapias locais e avaliar condições hormonais, metabólicas e nutricionais. “Quando o organismo entra em equilíbrio, o cabelo tende a responder melhor ao tratamento”, afirma.

Ela acrescenta que, com a popularização de medicamentos para perda de peso, como os análogos de GLP-1, cresce a importância de uma abordagem multidisciplinar, com participação de diferentes especialidades. A lógica, diz a especialista, é tratar pele e cabelo não apenas como questões estéticas, mas como reflexo da saúde como um todo.

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