Diabetes pode causar cegueira silenciosa: veja sinais que pedem consulta urgente

A retinopatia diabética, complicação do diabetes que atinge a retina (a parte do olho responsável por formar as imagens), pode evoluir de forma silenciosa e só dar sinais quando o comprometimento já é importante. Por isso, o acompanhamento oftalmológico regular é considerado decisivo para evitar perda de visão.

A oftalmologista Tayuane Ferreira Pinto explica que o excesso de glicose no sangue danifica aos poucos os vasos sanguíneos da retina, que ficam mais frágeis e propensos a vazamentos. “O problema é que, no começo, a pessoa costuma enxergar normalmente, mesmo com alterações acontecendo no fundo do olho”, afirma.

Com o tempo, esse dano pode comprometer a oxigenação do tecido e desencadear hemorragias, inchaço na região central da visão (edema macular) e o surgimento de vasos anormais, que aumentam o risco de sangramentos e perda visual. O quadro tende a ser mais rápido e agressivo quando o diabetes está mal controlado, quando há pressão alta associada ou quando a pessoa convive com a doença há muitos anos.

Por que a doença passa despercebida e quais sintomas exigem atenção

O principal risco da retinopatia diabética está justamente no fato de ela ser “silenciosa” nas fases iniciais. Essa ausência de sintomas pode gerar uma falsa sensação de segurança e adiar a avaliação médica, mesmo quando a retina já está sofrendo alterações.

Quando os sinais aparecem, a orientação é não esperar. A especialista alerta que alguns sintomas indicam necessidade de consulta imediata: “Visão embaçada, manchas escuras que parecem flutuar, dificuldade para ler, distorção das imagens e perda súbita da visão são sinais de alerta”.

Para diagnosticar o problema e acompanhar a evolução, o exame mais básico é o mapeamento de retina, feito no consultório, de forma rápida e indolor. Em situações específicas, exames como a tomografia de coerência óptica (OCT) e a angiofluoresceína podem ser solicitados para detalhar o grau de comprometimento.

De modo geral, a recomendação é que pessoas com diabetes tipo 1 e tipo 2 façam avaliação oftalmológica pelo menos uma vez ao ano — ou em intervalos menores quando já existe alguma alteração.

Foto: Freepik.

Tratamentos mais atuais e o papel do controle da glicemia

Nos últimos anos, o tratamento avançou principalmente nos casos mais graves, como quando há edema macular ou proliferação de vasos anormais. Nesses cenários, o uso de medicamentos anti-VEGF aplicados diretamente no olho é uma das estratégias mais utilizadas para reduzir o inchaço, controlar a formação de novos vasos e ajudar a estabilizar o quadro.

Em determinadas situações, também pode haver indicação de laser ou cirurgia vítreo-retiniana para manejar hemorragias e outras complicações avançadas.

Ainda assim, médicos reforçam que a prevenção continua sendo o ponto central. Manter a glicemia estável, controlar a pressão arterial e cuidar da alimentação reduz o risco de progressão e melhora a resposta ao tratamento. Atividade física regular, acompanhamento multidisciplinar e parar de fumar também entram na lista de medidas importantes.

A retinopatia diabética é evitável na maior parte dos casos quando identificada cedo. Por isso, mesmo quem enxerga bem deve manter o exame anual em dia: visão preservada hoje não significa que a retina esteja protegida.

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