Testosterona na menopausa: o que toda mulher precisa saber antes de iniciar a reposição

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A reposição hormonal é um dos temas mais debatidos quando se fala em menopausa — e a testosterona, embora tradicionalmente ligada ao universo masculino, vem ganhando destaque no tratamento de mulheres. Segundo a ginecologista Dra. Ana Paula Horovitz, membro da Brazil Health, o hormônio pode ser um aliado importante para melhorar a qualidade de vida durante essa fase, mas deve ser usado com responsabilidade.

“A principal indicação da reposição de testosterona na mulher menopáusica é o desejo sexual hipoativo, que compromete a vida afetiva e emocional”, explica a médica. Além disso, estudos mostram que a testosterona pode auxiliar na melhora da energia, da massa muscular e da saúde óssea, desde que aplicada de forma segura.

Nem toda mulher precisa repor o hormônio

A produção de testosterona feminina acontece em pequenas quantidades pelos ovários e glândulas adrenais. Com a chegada da menopausa, esses níveis caem ainda mais, mas isso não significa que toda mulher precisa de reposição. “É fundamental avaliar caso a caso. O histórico clínico, os sintomas e os exames laboratoriais são determinantes para a prescrição”, afirma Dra. Ana Paula.

Segundo ela, as doses indicadas costumam ser muito pequenas e devem ser ajustadas individualmente. As formas mais seguras incluem géis transdérmicos, adesivos e cremes, que permitem maior controle da absorção e facilitam ajustes. Já os implantes hormonais — os chamados “chips” — exigem cautela, pois liberam o hormônio continuamente por vários meses e nem sempre permitem correções após a aplicação.

Foto: Divulgação.

Riscos do uso inadequado

O uso de testosterona sem indicação médica pode causar efeitos colaterais significativos. Entre eles: aumento de pelos, acne, engrossamento da voz, queda de cabelo em padrão masculino, alterações no colesterol e até risco cardiovascular. “Reposição hormonal não é estética, é tratamento. E precisa ser conduzida com base em evidências e ética médica”, alerta a ginecologista.

O relatório de consenso da Sociedade Internacional de Endocrinologia da Mulher (ISSWSH e ISSAM), publicado em 2019, reforça que a testosterona pode ser eficaz e segura quando usada dentro de parâmetros clínicos bem estabelecidos.

Mais saúde e menos promessas

Para a especialista, é preciso romper com a ideia de que a testosterona seria um “elixir da juventude”. “A menopausa é um processo natural, e o objetivo da reposição é aliviar sintomas e melhorar o bem-estar, não atender a modismos ou promessas milagrosas”, conclui Dra. Ana Paula.

Com orientação médica, informação de qualidade e acompanhamento regular, é possível viver essa fase com mais vitalidade, equilíbrio e autonomia.

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