Mansur: “Google não matou o SEO. Fez pior”

Durante anos, muita empresa tratou SEO como um jogo de posição. Colocava palavra-chave, ajustava título, escrevia um post genérico, fingia profundidade e esperava o algoritmo colaborar. Funcionou por um tempo.

A internet também já achou banner piscando uma boa ideia, então vamos manter a humildade histórica.

Agora a busca subiu de fase. Com AI Overviews, AI Mode, Gemini, agentes e carrinhos inteligentes, o Google deixa de ser apenas uma lista de links e começa a virar uma máquina de resposta. A pessoa pergunta, a IA interpreta, cruza fontes, compara opções, resume o caminho e, em alguns casos, já prepara a ação. E isso muda a pergunta que importa.

Antes era: como eu ranqueio para essa palavra?

Agora é: por que uma IA deveria escolher a minha marca como fonte confiável?
Essa é a diferença entre SEO e o que o mercado está chamando de GEO, Generative Engine Optimization. Não é mágica nova. Não é arquivo secreto. Não é hack vendido em PDF com cara de salvação espiritual para site abandonado. É o SEO sendo forçado a virar adulto.

E o Google cortou a fantasia dos atalhos: não existe passe mágico para aparecer nas respostas generativas. O básico ficou mais importante. Site rastreável. Conteúdo claro. Experiência real. Autoridade. Reviews legítimos. Dados bem organizados. Produto bem cadastrado. Perfil local atualizado. Página que responde pergunta de verdade.

O conteúdo genérico perde valor. Aquele post “5 dicas para vender mais” vai virar ração barata para IA resumir. O que ganha força é repertório próprio: casos, dados, ponto de vista, processo, comparação, bastidor, prova, imagem, vídeo e resposta específica para problema real.

No varejo, o aviso vem com sirene. Com agentes de compra e Universal Cart, o consumidor pode nem entrar no seu site antes de decidir. A IA pode comparar preço, estoque, prazo, avaliação, benefício de cartão e disponibilidade. Quem estiver mal descrito, mal avaliado ou invisível para máquina nem entra na conversa.
O jogo saiu do clique e foi para a confiança algorítmica.

A marca precisa ser legível para sistemas inteligentes e útil para pessoas reais. Parece óbvio, mas basta abrir metade dos sites corporativos para lembrar que o óbvio virou artigo de luxo.

O Google não acabou com o marketing. Acabou com a preguiça disfarçada de estratégia.

Com todo mundo berrando no feed, o marketing bom encontra o ponto exato onde o barulho vira atenção. Agora, além de atenção, ele precisa virar fonte. E fonte não se improvisa na véspera.

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