Prefeito de cidade paraibana é afastado após operação que investiga fraude em licitações

A investigação apura suspeitas de fraudes em contratações públicas e dispensas ilegais de licitação, principalmente relacionadas ao serviço de coleta de resíduos sólidos.

Carlos Rocha
Carlos Rocha
Nascido em 1988, em Guarulhos (SP), Carlos Rocha é filho de paraibanos e vive em João Pessoa desde o início dos anos 2000. Graduado em Administração de Empresas pela Faculdade Paraibana, ingressou posteriormente no curso de Jornalismo na Universidade Federal da Paraíba (UFPB).Atua no jornalismo digital desde 2013, com passagens por importantes veículos de comunicação da Paraíba. Na TH+ SBT Tambaú, trabalhou nas áreas de Marketing, Reportagem e Produção de Conteúdo Multimídia.Sua atuação é voltada principalmente para política, cidades e temas de interesse público, sempre com foco na apuração rigorosa e na produção de conteúdo de qualidade. Além do jornalismo, é apaixonado por leitura, cinema, séries e cultura pop.

O prefeito de Caaporã, Chico Nazário (União Brasil), foi afastado do cargo nesta quinta-feira (20) durante a Operação Purgatório, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público da Paraíba (MPPB). A investigação apura suspeitas de fraudes em contratações públicas e dispensas ilegais de licitação, principalmente relacionadas ao serviço de coleta de resíduos sólidos.

Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da Prefeitura de Caaporã e na casa do prefeito, no Litoral Sul da Paraíba.

Segundo o MPPB, o prejuízo aos cofres públicos ultrapassa R$ 2 milhões, em valores atualizados.

As investigações identificaram indícios de irregularidades em procedimentos de contratação pública e dispensas de licitação. O principal foco é a contratação de empresas para a coleta de resíduos sólidos no município.

Além das suspeitas relacionadas às licitações, os investigadores apuram possíveis crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de capitais.

De acordo com o Ministério Público, a suspeita de lavagem de dinheiro está relacionada à possível destinação e circulação de recursos públicos que teriam sido desviados.

A Operação Purgatório é resultado de uma atuação conjunta do Gaeco, da Comissão de Combate aos Crimes de Responsabilidade e à Improbidade Administrativa (Ccrimp/MPPB) e da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/PCPB).

Os mandados foram cumpridos nesta quinta-feira em endereços ligados à administração municipal e ao prefeito.

O afastamento de Chico Nazário ocorre no curso da investigação. As suspeitas ainda serão apuradas pelas autoridades e não representam, por si só, condenação.

O caso também tem relação com uma investigação aberta pelo MPPB em setembro de 2025, depois da divulgação de um vídeo no qual Chico Nazário aparece recebendo uma bolsa com dinheiro antes das eleições municipais de 2024.

Segundo informações divulgadas à época, o material mostraria o prefeito colocando cerca de R$ 400 mil em uma bolsa.

O Ministério Público passou a investigar a origem do dinheiro e uma possível relação com a contratação de uma empresa responsável pela coleta de lixo no município.

O prefeito negou as acusações relacionadas ao episódio.

O g1 informou que procurou Chico Nazário para obter um posicionamento sobre o afastamento e a Operação Purgatório, mas não recebeu resposta até a última atualização da reportagem.

As investigações continuam para esclarecer a extensão das possíveis irregularidades, identificar eventuais responsáveis e calcular os danos causados aos cofres públicos.

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