6 duplas de artistas brasileiros que deveriam ter gravado mais juntos

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Há encontros musicais que parecem feitos para durar. A primeira canção acontece, a combinação de vozes funciona, a química aparece — e fica aquela sensação de que poderia ter vindo muito mais por aí.

Na música brasileira, alguns desses encontros se tornaram clássicos justamente pela força de uma única gravação. Outros renderam algumas parcerias, mas nunca chegaram a explorar completamente o potencial daquela combinação. E há também aqueles casos em que os artistas seguiram caminhos diferentes, deixando para trás uma pergunta irresistível: e se tivessem gravado mais juntos?

A lista abaixo parte justamente dessa imaginação. Não se trata apenas de reunir grandes nomes, mas de pensar no que poderia ter acontecido se determinadas duplas tivessem transformado encontros pontuais em projetos mais frequentes, discos inteiros ou até turnês.

1. Elis Regina e Rita Lee

Duas personalidades gigantes, duas maneiras completamente diferentes de ocupar o palco e uma combinação que poderia ter produzido muito mais.

Elis Regina e Rita Lee se encontraram em “Doce de Pimenta”, composição de Rita em parceria com Roberto de Carvalho e Paulo Coelho, gravada por Elis. O encontro aproximou duas artistas que, à primeira vista, pareciam pertencer a universos distintos: de um lado, a intérprete associada à sofisticação da MPB; do outro, a irreverência do rock brasileiro.

Justamente aí estava o potencial.

Elis tinha uma capacidade impressionante de transformar uma canção, enquanto Rita dominava uma linguagem pop que ajudou a mudar o comportamento da música brasileira. Um projeto reunindo as duas poderia ter cruzado MPB, rock, humor e experimentação de uma maneira muito particular. Ficou o registro. E ficou também a curiosidade sobre tudo o que poderia ter vindo depois.

2. Tim Maia e Jorge Ben Jor

Imagine uma sequência de canções reunindo dois dos maiores responsáveis pela construção da identidade da música negra brasileira.

Tim Maia e Jorge Ben Jor tinham muito em comum: o balanço, a força do soul, o samba, o funk, a irreverência e uma maneira absolutamente própria de cantar e compor. Ainda assim, os encontros entre os dois não ganharam a dimensão que poderiam.

A ideia de um disco inteiro com Tim Maia e Jorge Ben Jor já seria suficiente para alimentar a imaginação de qualquer fã de música brasileira.

Seria difícil prever o resultado — e talvez justamente por isso ele pudesse ter sido tão extraordinário.

3. Gal Costa e Maria Bethânia

Poucas combinações de vozes na música brasileira carregavam tamanha força simbólica.

Gal Costa e Maria Bethânia tinham trajetórias ligadas ao mesmo movimento cultural e à mesma geração que transformou profundamente a música brasileira. As duas também compartilhavam a origem baiana e a proximidade com nomes fundamentais da Tropicália e da MPB.

Quando cantavam juntas, havia um contraste fascinante: a delicadeza e a potência de Gal encontravam a dramaticidade e a presença cênica de Bethânia.

Embora tenham dividido momentos importantes, a quantidade de registros conjuntos parece pequena diante do tamanho das duas artistas.

Um álbum inteiro das duas, especialmente em diferentes fases de suas carreiras, poderia ter se tornado um dos grandes documentos da música brasileira.

4. Nando Reis e Cássia Eller

Poucas parcerias da música brasileira dos anos 1990 e 2000 tiveram uma química tão evidente quanto a de Nando Reis e Cássia Eller. A relação entre os dois foi muito além de encontros ocasionais: Nando se tornou um dos principais compositores do repertório de Cássia, enquanto a cantora deu novas dimensões a algumas de suas canções.

“Segundo Sol”, “All Star” e “Relicário” estão entre os exemplos mais marcantes dessa conexão. Na voz de Cássia, as composições de Nando ganhavam uma intensidade diferente, enquanto a interpretação da cantora parecia revelar novas camadas nas letras.

E é justamente por isso que fica a sensação de que poderia ter existido muito mais.

5. Djavan e Gilberto Gil

Dois compositores que parecem conversar musicalmente mesmo quando estão separados. Djavan e Gilberto Gil têm em comum a capacidade de misturar referências brasileiras, africanas, caribenhas e internacionais sem transformar essa mistura em algo artificial. Os dois também desenvolveram linguagens harmônicas e melódicas imediatamente reconhecíveis.

Quando suas vozes se encontram, existe uma sensação de naturalidade.

Por isso, um disco colaborativo entre os dois parece quase uma oportunidade perdida. Não necessariamente um álbum de grandes duetos tradicionais, mas uma coleção de músicas novas, compostas e interpretadas em conjunto. Seria uma espécie de encontro entre duas das grandes arquiteturas musicais da MPB.

6. Rita Lee e Ney Matogrosso

Talvez uma das combinações mais deliciosamente imprevisíveis desta lista. Rita Lee e Ney Matogrosso tinham em comum uma característica rara: nenhum dos dois parecia interessado em seguir as regras estabelecidas para uma estrela da música brasileira.

Rita trouxe o rock, o humor, a provocação e uma enorme capacidade de transformar comportamento em canção. Ney levou para o palco a teatralidade, a androginia, a sensualidade e uma liberdade corporal que ajudou a quebrar padrões.

Um projeto mais extenso entre os dois poderia ter sido caótico, divertido e absolutamente brasileiro. E talvez seja justamente essa a melhor definição para uma parceria que nunca teve tempo suficiente para mostrar tudo o que poderia render.

O que essas parcerias têm em comum?

Existe uma razão para algumas colaborações deixarem uma sensação tão forte de “quero mais”. Quando dois artistas muito diferentes se encontram, não estamos apenas somando duas carreiras. Estamos criando uma terceira possibilidade: a música que nenhum dos dois faria sozinho.

É isso que torna essas duplas tão interessantes.

Elis e Rita poderiam ter aprofundado a ponte entre MPB e rock. Tim Maia e Jorge Ben Jor poderiam ter mergulhado ainda mais no soul, no samba e no funk. Cássia Eller e Cazuza poderiam ter criado um repertório de enorme intensidade emocional. Gal e Ney poderiam ter levado a ideia de performance musical a outro nível.

E talvez essa seja a parte mais fascinante: algumas das maiores parcerias da música brasileira não precisam necessariamente ter acontecido para continuarem sendo imaginadas.

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