Delegado Palumbo chama Câmara de “péssima” e critica partidos

A avaliação ruim da Câmara dos Deputados por parte da população não surpreende o delegado Palumbo (Podemos). Candidato à reeleição como deputado federal por São Paulo, ele foi além ao comentar o descrédito do Legislativo e afirmou que o problema passa por comportamentos que o próprio eleitor nem sempre consegue enxergar de fora de Brasília.

“A população tá certa. Não é ruim, não. É péssima”, afirmou durante sabatina no Jornal Novabrasil SP, conduzida pelos jornalistas Maira Di Giaimo e Heródoto Barbeiro.

Palumbo atribuiu parte desse desgaste à distância entre o discurso público dos parlamentares e o comportamento nas votações. Também relatou uma rotina de pressão partidária, disputas internas e mudanças em comissões que, segundo ele, podem servir para controlar o resultado de determinadas pautas.

“Eles mentem, eles inventam, eles traem, eles falam uma coisa na frente das câmeras e fazem outra”, disse.

Palumbo relata pressão dentro dos partidos

Um dos trechos mais reveladores da entrevista surgiu quando o deputado falou de sua relação com as legendas pelas quais passou.

Palumbo contou que, no início do atual mandato, sofreu pressão para seguir orientações partidárias e afirmou ter sido prejudicado na distribuição de espaços dentro da Câmara por não aceitar votar de acordo com os interesses do partido.

Segundo ele, chegou a descobrir, durante uma votação, que havia sido retirado da Comissão de Segurança Pública.

“Eles acabam te boicotando o tempo todo”, relatou.

O deputado disse que reagiu publicamente e conseguiu permanecer no colegiado. Hoje no Podemos, afirmou ter pedido à presidente do partido, Renata Abreu, uma condição principal para permanecer na legenda: independência.

“Se eu achar que a pauta é boa, eu não estou nem aí se é de direita ou da esquerda.”

Na avaliação de Palumbo, o poder dos dirigentes partidários sobre legenda, fundo eleitoral, tempo de televisão e participação em comissões coloca os candidatos em uma situação de dependência excessiva.

Por isso, ele defendeu a possibilidade de candidaturas independentes, sem necessidade de filiação partidária.

Polarização “não resolve a vida das pessoas”

Embora se defina como um político de direita, Palumbo afirmou que não considera produtiva a divisão permanente entre direita e esquerda dentro do Congresso.

Ele usou problemas de saúde e segurança como exemplos de assuntos que, na visão dele, deveriam superar a disputa ideológica.

“Tem alguém morrendo nesse momento, tem alguém sendo assaltado, tem uma mulher sendo morta e a gente fica aqui discutindo que a direita é melhor que a esquerda, que a esquerda é melhor que a direita e não anda.”

Para o deputado, o parlamentar deveria estar disposto a apoiar propostas independentemente de sua origem partidária quando considerar que elas atendem ao interesse da população.

Feminicídio e progressão de regime

A segurança pública, principal bandeira política de Palumbo, também ocupou parte importante da conversa.

O candidato defendeu uma proposta que restringe a progressão de regime em casos de feminicídio e disse encontrar dificuldade para conseguir apoio de outros deputados.

Ele relatou que um parlamentar teria recusado apoio à medida por receio de perder votos, embora tenha preservado o nome do colega.

“Não é pauta de direita e esquerda”, insistiu.

Palumbo argumentou que crimes graves contra mulheres precisam ser tratados com maior rigor e afirmou que está disposto a apoiar iniciativas semelhantes mesmo quando apresentadas por partidos com os quais mantém divergências políticas.

Fiscalização fora de Brasília

Outro ponto defendido pelo deputado foi uma atuação parlamentar menos concentrada nos gabinetes.

Palumbo contou que realiza fiscalizações em hospitais, delegacias e pátios credenciados pelo Detran e disse considerar esse trabalho uma extensão da função de fiscalizar o poder público.

“Eu acho que o trabalho do parlamentar não é só em Brasília, é também aqui nas ruas como fiscal do povo.”

O candidato criticou principalmente cobranças e procedimentos adotados em pátios de veículos apreendidos. Segundo ele, fiscalizações realizadas pelo mandato contribuíram para suspender o funcionamento de algumas empresas credenciadas.

Palumbo defendeu mudanças para reduzir custos cobrados dos proprietários de veículos, como a divisão do preço do guincho quando vários automóveis são transportados ao mesmo tempo e a proibição da cobrança de diárias nos períodos em que o pátio estiver fechado.

Deputado defende mudança no sistema eleitoral

A forma de eleição dos deputados também apareceu na sabatina.

Heródoto questionou Palumbo sobre o sistema proporcional, no qual votos recebidos por um candidato podem contribuir para eleger outros nomes da mesma legenda ou federação.

O candidato disse ser favorável a um sistema no qual os mais votados sejam eleitos diretamente, independentemente do desempenho dos demais integrantes da chapa.

Para ele, o modelo atual também estimula partidos a buscar candidatos com grande alcance eleitoral para aumentar a bancada.

Palumbo relacionou esse problema à própria defesa das candidaturas independentes e criticou a concentração de poder nas direções partidárias.

“Fiscalize o seu político”

No fim da conversa, o deputado voltou ao tema que abriu a entrevista: a responsabilidade do eleitor sobre quem ocupa uma cadeira no Congresso.

Para Palumbo, redes sociais não devem ser a única referência para avaliar um mandato.

“Fiscalize o seu político. Não acredite em tudo que você vê na rede social.”

A sabatina com Delegado Palumbo (Podemos) faz parte da série do Jornal Novabrasil SP com candidatos a deputado federal por São Paulo.

A íntegra da entrevista está disponível no canal Jornalismo Novabrasil, no YouTube, onde também podem ser acompanhadas as conversas com outros candidatos. O vídeo está aqui no texto, basta clicar e assistir.

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