A influenciadora Mirela Veríssimo relatou ter sofrido complicações após realizar um procedimento de harmonização de glúteos com Isabela de Melo Dantas, presa em flagrante nesta quinta-feira (27), em João Pessoa, suspeita de se passar por médica e realizar procedimentos estéticos sem habilitação. Segundo denúncias reunidas pela Polícia Civil, pacientes teriam apresentado dores, inchaços, hematomas e outras complicações após aplicações feitas pela suspeita.
Mirela contou em uma entrevista que foi procurada por Isabela para uma parceria. A proposta era realizar uma harmonização de glúteos com reposição de colágeno em troca da divulgação do procedimento nas redes sociais.
Após a aplicação, a influenciadora disse que teve inchaço e hematomas na região. Segundo ela, depois que o processo inflamatório diminuiu, o resultado ficou diferente do esperado.
“O resultado final desses dias que passava era pior do que era antes”, relatou.
Influenciadora diz que não sabia da formação da suspeita
Mirela afirmou que não sabia que Isabela não era médica e que não acompanhava de perto quais substâncias eram utilizadas durante as aplicações.
Segundo a influenciadora, em uma das ocasiões ela chegou a perguntar qual produto seria aplicado. A suspeita teria mostrado uma ampola e preparado a seringa, mas Mirela disse que confiou na informação apresentada.
“Eu dei as costas e confiei”, afirmou.
A influenciadora registrou um boletim de ocorrência.
Suspeita foi presa durante atendimento
Isabela foi presa em flagrante pela Delegacia de Defraudações enquanto atendia outra paciente em um prédio no bairro do Bessa, em João Pessoa.
Nas redes sociais, ela se apresentava como “Doutora Isabela Dantas”, “rainha da harmonização glútea” e “especialista em harmonização corporal e facial”.
Na delegacia, entretanto, Isabela negou que se apresentasse como médica. Ela afirmou ser esteticista e estudante de Biomedicina.
“Nunca disse que sou médica. Nunca”, declarou.
A suspeita também afirmou que trabalha com estética e ministra cursos na área.
Até a última atualização, a defesa de Isabela não havia sido localizada.
Ex-funcionária relata o que suspeita dizia sobre formação
Uma ex-funcionária da suspeita, que não quis se identificar, afirmou que Isabela apresentava diferentes versões quando era questionada sobre sua formação.
Segundo ela, a suspeita dizia ter especialização em estética ou atuar como auxiliar de bloco cirúrgico. A ex-funcionária também afirmou que Isabela teria dito que cursava Medicina, mas havia interrompido a graduação.
As declarações fazem parte das denúncias que estão sendo analisadas pelas autoridades.
Outras pacientes relatam complicações
Além do caso de Mirela, outras mulheres procuraram as autoridades para denunciar procedimentos realizados pela suspeita.
Segundo os relatos aos quais o g1 teve acesso, uma paciente afirmou que recebeu silicone de construção nos glúteos e precisou passar por procedimentos cirúrgicos de emergência depois de apresentar complicações.
Outra mulher relatou que a suspeita dizia utilizar bioestimuladores e outros produtos, mas teria aplicado ar e soro fisiológico durante o procedimento.
Também há relato de uma paciente que conheceu Isabela por meio de uma transmissão nas redes sociais. Segundo a denúncia, a harmonização de glúteos era anunciada por R$ 3,5 mil, mas a mulher afirmou ter pago R$ 5 mil.
Após a aplicação, ela relatou ter apresentado hematomas, aumento da temperatura na região e desmaio provocado pela dor.
As denúncias ainda serão investigadas e não significam, por si só, que todos os fatos tenham sido comprovados.
CRM alerta para riscos de procedimentos invasivos
O Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) afirmou que procedimentos estéticos de natureza médica, principalmente os invasivos e que envolvam aplicação de substâncias, implantes ou anestesia, devem ser realizados por profissionais habilitados e em condições adequadas de segurança.
A entidade também orientou que pacientes verifiquem a formação e a habilitação legal do profissional antes de realizar procedimentos dessa natureza.
A Polícia Civil deve apurar as denúncias e as circunstâncias dos atendimentos realizados pela suspeita.

