A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) contra o sargento da Polícia Militar, Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho, que matou a própria mulher com três tiros e 51 facadas, dentro de uma clínica médica, na cidade de Santos, litoral paulista. É solicitado contra o agora réu, uma pena de 70 anos de reclusão.
O crime em questão aconteceu no dia 7 de maio, na Avenida Senador Pinheiro Machado, no bairro Marapé. Segundo registros da Polícia Civil, o homem compareceu ao local assim que soube da presença da mulher e da filha. Inicialmente, o casal teria discutido verbalmente, e o médico teria os separado, pedindo para que o PM se retirasse do estabelecimento. No entanto, posteriormente, o sargento conseguiu entrar no local e cometer o feminicídio com a presença de agentes da Polícia Militar. Foi instaurado um inquérito policial para apurar rigorosamente a conduta dos agentes acionados para atender a ocorrência, segundo a SSP (Secretaria de Segurança Pública).
O MP pede a pena considerando diversas qualificadoras: meio cruel, perigo comum, dissimulação, uso de recurso que impossibilitou a defesa das vítimas e emprego de arma de fogo de uso restrito. Além disso, a Promotoria aponta agravantes como o fato de os crimes terem sido cometidos contra a mãe, na presença da filha e contra sua própria descendente, menor de 14 anos.
Ainda na denúncia, o promotor Fabio Fernandez apresentou pedido para que o criminoso pague indenizações por danos morais. O valor mínimo sugerido é de R$ 100 mil aos herdeiros da mulher assassinada e R$ 50 mil à filha sobrevivente.
Para o promotor, o crime foi premeditado. Segundo o apurado, o homem apresentava comportamento frio, grosseiro e violento, chegando a ameaçar e agredir fisicamente a mulher em outras ocasiões.
O juiz da Vara do Júri de Santos, que recebeu a denúncia do MP, determinou a realização de perícia toxicológica no réu, em razão de alegações da defesa sobre o uso de calmantes. Isto por que, em suas últimas conversas com uma amiga, Amanda Fernandes Carvalho relatou que havia dado a medicação ao homem, sem que ele soubesse. O objetivo do exame é tentar esclarecer o estado do sargento no momento dos fatos.
Laudo do IML
O laudo do IML (Instituto Médico Legal) concluiu que o sargento da Polícia Militar, Samir do Nascimento Rodrigues de Carvalho, matou a própria mulher com 51 facadas e três tiros.
A maioria das facadas proferidas em Amanda Fernandes Carvalho, atingiram o lado direito de seu corpo, desde a coxa até a face, aponta o laudo necroscópico. Outra questão levantada é que os tiros teriam sido disparados à distância.
O médico legista concluiu que a vítima sofreu “morte violenta, decorrente de anemia aguda por hemorragia interna traumática, em consequência dos ferimentos”.
Desde que foi detido, o sargento se encontra inativo temporariamente, sem direito a salário, além do tempo de serviço não ser contabilizado. A filha do casal, que foi atingida por disparos feitos por Samir na data dos fatos, ficou internada na UTI (Unidade de Terapia Intensiva), mas na última terça-feira (13) recebeu alta hospitalar.
O crime
A mulher e a criança ficaram trancadas com o médico dentro de uma sala, enquanto a Polícia Militar era acionada. Com a chegada da equipe, o homem, que estava na rua, teria mostrado que não estava armado e entrou novamente com os agentes no estabelecimento.
Quando o médico abriu a porta da sala onde a mulher e a criança estavam, o policial – que estava de folga -, teria pego a arma de fogo novamente que teria ficado escondida em outra sala, e por trás da equipe da PM, disparou contra as vítimas. Na sequência, o homem ainda teria esfaqueado a companheira.
Conduta de agentes é investigada pela SSP
A SSP (Secretaria de Segurança Pública) informou que foi instaurado um inquérito policial para apurar rigorosamente a conduta dos agentes acionados para atender a ocorrência.
De acordo com a pasta, “na ocasião, os policiais foram acionados via Copom para atender uma ocorrência de desinteligência no local. Quando chegaram as vítimas estavam trancadas em um consultório e o autor, um policial militar de folga, do lado de fora. De acordo com as informações prestadas no boletim de ocorrência, após o policial mostrar que não estava armado, a porta foi aberta. O autor entrou e atirou na mulher e na filha, sendo preso na sequência e encaminhado ao Presídio Militar Romão Gomes.”.
Há, no entanto, a informação de que o homem teria pego a arma de fogo novamente que teria ficado escondida em outra sala, e por trás da equipe, disparou contra as vítimas. Na sequência, o homem ainda teria esfaqueado a companheira. Este detalhe, não foi confirmado pela pasta.



