Encerrada a Agrishow 2026, passaram a circular nas redes alguns feedbacks de quem participou do evento. Como falamos sobre as expectativas com a feira na coluna anterior, falemos aqui também sobre as repercussões. Primeiramente, destacaram-se os possíveis compradores que se sentiram prejudicados por terem sido equiparados aos não compradores. Nas palavras de alguns desses, o ingresso teria sido muito caro considerando que haveria ainda os gastos dentro da feira e as compras de produtos dos expositores – objetivo central do evento. Entre vídeos e comentários, muitas pessoas chegaram a comparar a Agrishow com outras feiras de agronegócio que ocorrem pelo Brasil e que não possuem entradas pagas.
As opiniões mais enfáticas ainda salientaram que a organização deveria passar a desestimular os curiosos que frequentam a feira como forma de entretenimento e que não investem nos expositores, atrapalhando os comerciantes e vendedores, para atrair mais compradores de fato que fariam o dinheiro circular. O efeito disso, percebido tanto por alguns que se fizeram presentes nos dias do evento quanto pelos comentários nas redes, foram dias com movimentos menos intensos – ainda que a média do volume de pessoas durante todos os dias de exposições tenha sido equivalente à do ano anterior.
Outras avaliações também apontaram para os problemas de transporte e de gestão de estacionamento. Desde horas de filas de carros para a saída até críticas sobre estacionamentos exclusivos para determinadas empresas, parte do público salientou em entrevistas para meios de comunicação que motoristas de aplicativos estavam evitando chegar até o local em horário de pico e que os transportes disponíveis não cumpriam a função. Vale salientar que a organização do evento noticiou estratégias de acesso e deslocamento para a feira, como mudanças nas vias, parceiras e o uso de transfers para hotéis e estacionamentos.
Contudo, o resultado mais marcante foram os efeitos do ano eleitoral que, a partir da Agrishow, começaram a ser sentidos no interior paulista. Iniciando pela tímida presença do vice-presidente que anunciou uma linha de crédito de R$ 10 bilhões por meio da Finep – que repete e se soma à linha de crédito do BNDES oferecida no ano anterior.
Em comparação, o chefe do Governo de São Paulo, parceiro e expositor da Agrishow, contando com um dos maiores estandes do evento, acabou se tornando um dos grandes destaques. Através da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, fora anunciado: um investimento no valor de R$ 455 milhões para o setor agropecuário; a titulação de 5,3 mil propriedades rurais; um programa de crédito rural do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (FEAP) no valor de R$ 400 milhões e mais R$ 25 milhões exclusivos para produtoras rurais. Mesmo que os valores não se aproximem das linhas de crédito federais, o governo estadual conseguiu demonstrar maior presença e proximidade com as demandas do setor.
Dessa forma, é interessante observar que, ainda que os subsídios públicos não tenham mascarado a queda no volume de negócios realizados na feira – R$ 11,4 bilhões, 22% a menos se comparado a edição anterior –, eles incentivaram a construção da imagem positiva do evento descrita por diversos líderes das marcas expositoras. O resultado da Agrishow, portanto, não pode ser lido somente como balanço financeiro, mas, sobretudo, como o momento em que as pré-campanhas políticas migram das capitais e dos grandes centros para o interior do estado de São Paulo – o maior colégio eleitoral do país.
**A coluna não expressa, necessariamente, a opinião do Grupo Thathi de Comunicação



