Tamanho do Estado não significa prosperidade

“O Estado a que Chegamos”, de João Eduardo Santana

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Foto: Reprodução

A lógica mais recorrente entre investidores é a de que não existe crescimento sem contrair alguma dívida. Empréstimos, alavancagens, financiamentos e outras formas de crédito passam, nessa perspectiva, a ser estratégicos quando a empresa ou o agente almeja um lucro maior no futuro. Porém, uma vez que se tenha chegado a esse futuro e percebido, após certa recorrência, que o lucro ou o crescimento esperado não foi atingido e que a dívida não está sendo justificada, acende-se o sinal de alerta.

No Brasil, atualmente, estamos analisando esse sinal. Diante de uma dívida de R$ 9,3 trilhões, sendo que parte dela é impulsionada pela alta taxa de juros e outra parte pela impressão de moeda, deveríamos já estar vendo o resultado desse investimento. Ao invés disso, vemos um PIB basicamente sustentado em commodities (extração de minério e atividades agropecuárias) – mesmo modelo que nos acompanha desde os períodos coloniais e que não prospera diante do ciclo do mercado.

A indústria em outras áreas, ainda que crescente, não toma impulso a ponto de promover desenvolvimento marcante. O consumo interno, apesar de apresentar aumento e puxar o setor de Serviços, também é acompanhado pela alta taxa de endividamento da população – cerca de 82% –, o que demonstra que quase todo brasileiro está com dificuldade de realizar atividades básicas cotidianas como contratar transporte, comprar roupa, comprar comida, adquirir remédios etc.

Mesmo que esse cenário tenha piorado ao longo dos últimos 4 anos, o maior problema é a mentalidade de que para o país crescer, o Estado tem que crescer junto e, para isso, se endividar mais e aumentar mais seu controle. Esse é o “Estado a que chegamos” (2021), analisado pelo advogado João Eduardo Santana, secretário da Administração Federal no governo de Fernando Collor de Mello. Procurando entender qual o modelo de Estado que nos leva a um ciclo de falências, Santana observa que o governo brasileiro adquiriu, desde 1964, uma mania estatista.

De acordo com um levantamento feito pela SEST (Secretaria de Controle de Empresas Estatais) em 1989, durante o governo de José Sarney (1985 a 1990), o governo militar foi responsável por criar 165 empresas estatais, das 213 existentes no Brasil na época. Por um lado, esse crescimento estatal foi a busca pela rápida modernização e independência das importações, que teve certo resultado econômico positivo por alguns poucos anos. Por outro, demostra que, a partir disso, impregnou-se no Brasil a ideia de que todos os setores eram essenciais e de que, por serem indispensáveis, deveriam estar sob o controle governamental.

Desse modo, setores portuários, petrolíferos, de telefonia, elétricos, de transporte marítimo, de comércio exterior, de mineração e siderurgia, de aviação, para além de uma centena de outras áreas foram tomadas pelo Estado com a promessa de desenvolvimento. O resultado foi o aumento dos desvios e da corrupção seguido pelo fechamento do mercado nacional e pelo aumento de preços dos produtos mais modernos por falta de concorrência. Do telefone ao combustível, o Brasil tornara-se vítima de sua própria mentalidade: um país grande precisa de um Estado grande.

Hoje, vivemos uma situação semelhante à do “apito de panela de pressão” descrita por Santana nas décadas de 70 e 80. Há um alarme indicando que, se o país não mudar os rumos, a pressão explodirá a panela. Por alguns anos, aliviou-se a pressão com reformas monetárias e nos valendo das fases de interesse estrangeiro por commodities. Porém, ainda que o modelo econômico tenha passado por mudanças, a mentalidade do governo ainda parece se manter a mesma da época dos governos militares. Continua-se a aumentar o Estado através da arrecadação e do endividamento ocasionando, no lugar do investimento e retorno, risco de corrupção e desaceleração do país.

**A coluna não expressa, necessariamente, a opinião do Grupo Thathi de Comunicação 

 

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