Há “luz” para a Cracolândia?

Debate Diálogos no Centro / Foto: Michelle Trombelli

Um gestor público, uma psicóloga e uma urbanista. Muitas propostas e diferentes caminhos para tentar lançar luz a um dos problemas mais complexos da capital paulista há pelo menos 30 anos: a cena aberta de uso de drogas na região central conhecida como Cracolândia.

O terceiro e último encontro desta edição do projeto Diálogos no Centro, promovido pela Novabrasil, na biblioteca Mário de Andrade, reuniu o vice-governador Felício Ramuth, coordenador das ações do governo paulista para a Cracolândia; a psicóloga Clarice Madruga, coordenadora do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas; e a urbanista Regina Meyer, pesquisadora da USP e especialista na recuperação de áreas degradadas.

Os três concordaram sobre a ação integrada de diferentes órgãos de governo que englobem bem mais do que a segurança pública. O vice-governador disse que, pela primeira vez, a gestão estadual trabalha com base em um plano de ação para a Cracolândia elaborado em conjunto com a prefeitura da capital e a sociedade civil. Para Felício Ramuth, as 300 câmeras que foram instaladas no Centro de São Paulo e devem começar a funcionar em 30 dias, vão ajudar a diminuir o fluxo de usuários e traficantes na região. 

“O Centro de São Paulo é hoje muito propício para quem quer usar droga e se esconder da família ou da polícia, porque a pessoa se torna invisível. Ao colocarmos as câmeras, o centro será o local mais vigiado e assistido do Brasil. Vocês vão ver a diferença”, ressaltou Ramuth.

A psicóloga Clarice, que realiza levantamentos sobre o perfil dos dependentes da Cracolândia chama a atenção para o fato de que a grande parte desses usuários não viviam na rua antes de se tornarem frequentadores da região.

“Qualificação das abordagens de rua faz toda a diferença. A gente começou a fazer isso e houve uma busca gigantesca pelos serviços de saúde. A gente não esperava essa procura”, se referiu aos 3 mil dependentes que já foram atendidos no hub de saúde montado na região.

Para a urbanista Regina Meyer, conhecer os prédios, a história da formação dos bairros que compõem o Centro e as pessoas que vivem na região é importante para compreender o cotidiano da área. 

“O governo do estado tem muitos órgãos de pesquisa que poderiam fazer rapidamente esse trabalho de reconhecimento. E essa identificação dos usuários é um passo importante. A área não pode ser propícia ao crime organizado. Portanto, seria conveniente começar a pensar em conhecer as edificações a população daquela área”, disse.

Durante três semanas, o Diálogos no Centro discutiu passos importantes para a valorização da área central da capital paulista.

Na primeira semana, a pauta foi a revitalização imobiliária; no segundo encontro, cultura, turismo e gastronomia foram abordados; e nesta quarta-feira, as soluções para a cracolândia foram temas do debate.

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