Horário de verão volta em 2026?

O governo federal descartou a retomada do horário de verão no fim de 2026 após estudos indicarem que a medida não é necessária para garantir a segurança elétrica.

Saulo Astini
Saulo Astini
Radialista, cinegrafista, editor audiovisual, YouTube manager e estrategista digital, com experiência em distribuição digital, streaming, produção de conteúdo e jornalista. Participação em produções e transmissões ao vivo broadcast. Atuei na direção de imagem e fotografia de produções musicais. Formação técnica em Cinema, Fotografia, Administração e Gestão de Pessoas, além de certificações em Marketing Digital, Jornalismo Digital pela Reuters Digital Journalism, Literacia em Inteligência Artificial e gestão Google Business.
Os relógios continuam como estão: horário de verão fica de fora em 2026.

O horário de verão não será retomado no Brasil no fim de 2026. A decisão foi tomada após estudos do setor elétrico concluírem que, nas condições atuais, não há necessidade de adiantar os relógios para reforçar a segurança do fornecimento de energia no país.

A avaliação considera principalmente o comportamento da geração e do consumo de eletricidade durante os períodos de maior demanda. Nesse sentido, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) analisou a necessidade de medidas adicionais para garantir o atendimento do sistema, especialmente durante o início da noite.

Embora o horário de verão tenha sido considerado dentro do planejamento do setor elétrico, os estudos mais recentes apontaram que a medida não precisa ser adotada na temporada 2026/2027. Dessa forma, os relógios permanecerão no horário convencional.

Por que o horário de verão foi descartado em 2026?

A decisão está relacionada às condições atuais do sistema elétrico brasileiro. Durante o início da noite, existe uma mudança rápida entre os níveis de geração e consumo, fenômeno conhecido como rampa de carga.

Anteriormente, a possibilidade de utilizar o horário de verão chegou a ser analisada como uma alternativa para suavizar esse período de maior pressão sobre o sistema. Entretanto, a avaliação mais recente do ONS indicou que a mudança dos relógios não é necessária neste momento.

Além disso, o governo considera que o horário de verão não representa uma solução estrutural para as necessidades de potência do sistema elétrico.

A possibilidade de retomada da medida havia sido incluída na Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, elaborada dentro do planejamento do setor elétrico.

O documento reuniu diferentes iniciativas destinadas a aumentar a segurança do fornecimento de energia e ampliar a capacidade de resposta do sistema diante dos períodos de maior demanda.

Entre as alternativas analisadas estavam, além do horário de verão, o aumento da disponibilidade de usinas termelétricas, estudos sobre despacho antecipado de geração e importação de energia.

Posteriormente, a atualização da agenda considerou os resultados dos estudos realizados ao longo de 2026 e encerrou a avaliação específica sobre a necessidade de voltar a adiantar os relógios.

O que é a rampa de carga no sistema elétrico?

A rampa de carga ocorre quando há uma mudança rápida na quantidade de energia consumida e na necessidade de geração.

No início da noite, por exemplo, a geração solar diminui com a redução da luz natural justamente quando o consumo de eletricidade pode aumentar.

Por isso, o sistema precisa contar com fontes capazes de responder rapidamente à mudança. Nesse cenário, termelétricas, hidrelétricas, armazenamento e mecanismos de resposta da demanda podem contribuir para aumentar a flexibilidade operacional.

Assim, a discussão sobre o horário de verão passou a fazer parte de uma estratégia mais ampla de segurança energética.

Enquanto o horário de verão foi descartado, outras ações previstas no planejamento energético avançaram.

Entre elas estão leilões de reserva de capacidade para usinas existentes e novas, além da manutenção de mecanismos que ampliam a disponibilidade de termelétricas para atendimento de potência.

Além disso, medidas de geração adicional e importação de energia foram utilizadas durante março e abril. Naquele período, foram registrados 40.926 MWh adicionais gerados por termelétricas na região Sul e 65.095 MWh importados, contribuindo para reduzir a utilização das hidrelétricas e preservar os reservatórios.

Após uma nova avaliação, entretanto, o ONS não identificou necessidade de repetir essas medidas naquele momento.

Horário de verão pode voltar?

O descarte para 2026 não significa que a política esteja definitivamente excluída para os próximos anos. O próprio Ministério de Minas e Energia mantém o acompanhamento periódico do tema. Segundo a orientação oficial, as mudanças no setor elétrico, incluindo a transição energética e os efeitos das mudanças climáticas, fazem com que a necessidade de adoção da medida continue sendo avaliada conforme as condições do sistema.

Portanto, uma eventual retomada dependeria de novas avaliações sobre geração, consumo, disponibilidade de potência e segurança do Sistema Interligado Nacional.

Brasil deixou de adotar o horário de verão em 2019

O horário de verão foi encerrado oficialmente no território nacional pelo Decreto nº 9.772, de 2019. Antes disso, a medida havia sido aplicada em diferentes períodos e regiões do país.

Ao longo dos anos, o principal argumento associado à política foi o aproveitamento maior da luminosidade natural durante o fim do dia.

No entanto, a evolução da matriz elétrica brasileira modificou o cenário. Atualmente, o planejamento do sistema considera também a expansão de fontes renováveis, especialmente solar e eólica, além da necessidade de maior flexibilidade para acompanhar as oscilações entre geração e consumo.

Dessa forma, a decisão para 2026 está inserida em uma estratégia mais ampla de operação e segurança energética.

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