Gaby Amarantos: MPB também é brega?

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Somos uma emissora que privilegia a MPB como alicerce de nossa programação, creditando ao estilo musical sua devida importância como um dos maiores patrimônios brasileiros. Nos colocamos como uma solução multiplataforma que foca em conteúdo para engajar a audiência e aproximá-las de maneira relevante e pertinente das marcas. A Novabrasil faz parte do Grupo Thathi, conglomerado de comunicação que conta com o Portal TH+, além de emissoras de rádio e televisão em mais de 400 cidades de várias regiões do país.

Gaby Amarantos sempre soube que incomodaria. Desde os tempos em que cantava nos bailes de aparelhagem em Belém, ela desafiava os padrões estéticos e musicais que a elite cultural impôs à música brasileira. Seu som mistura tecnobrega, carimbó, guitarrada, pop, eletrônica e ancestralidade afroamazônica. E é justamente por essa mistura, por esse som de floresta e cidade, que Gaby redefiniu o conceito de MPB — mostrando que o “brega”, tão marginalizado, é também parte fundamental da música popular brasileira.

A pergunta “MPB também é brega?” provoca risos, mas é séria. Por décadas, o termo “brega” foi usado para desqualificar tudo o que era popular demais, colorido demais, sentido demais. O Brasil oficial sempre olhou com desdém para a cultura das periferias, das festas de bairro e das rádios comunitárias. Gaby Amarantos transformou esse preconceito em bandeira, afirmando que o brega é emoção pura — e emoção é o que move a MPB desde sempre. Sua trajetória é a de uma mulher negra, nortista, que decidiu ocupar espaços antes negados às suas origens.

O álbum Purakê é um exemplo dessa revolução estética. Nele, Gaby fala de ancestralidade, feminismo e meio ambiente com a força de quem carrega a Amazônia na voz. A cada música, ela rompe o estereótipo de que o Norte é apenas exótico, apresentando um som urbano e global, mas profundamente enraizado em sua terra. É nesse cruzamento de mundos que a artista prova: a MPB é um guarda-chuva onde cabe tudo — inclusive o brega, que é, afinal, a emoção popular em seu estado mais puro.

Ao lado de nomes como Dona Onete, Jaloo e Fafá de Belém, Gaby é uma das responsáveis por recolocar o Pará no mapa cultural do Brasil. Sua influência já se espalha por outras gerações e regiões. Jovens artistas veem em sua trajetória uma afirmação de que a arte não precisa pedir licença para existir. Gaby canta com humor e dor, com corpo e alma. Sua música é um grito e uma festa. Se o brega é exagero, é porque o Brasil também é.

No fim das contas, Gaby Amarantos nos lembra que a MPB só é grande porque é diversa. E que o brega, com todo seu brilho e dramaticidade, é parte essencial dessa grandeza.

Essa publicação é fruto de uma parceria especial entre a Novabrasil e o Fórum Brasil Diverso, evento realizado pela Revista Raça Brasil nos dias 10 e 11 de novembro, que celebra a diversidade, a cultura e a potência da música negra brasileira. Não perca a oportunidade de participar desse encontro transformador — inscreva-se já www.forumbrasildiverso.org

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