Lucas Felix aborda ansiedade como uma das narrativas no álbum “Todas as Canções”

Em meio à lógica acelerada das redes sociais e da produtividade constante, o cantor e compositor Lucas Felix decidiu seguir na contramão com o lançamento de “Todas as Canções”, seu novo álbum autoral.

Em vez de campanhas baseadas em urgência e consumo rápido, o artista apostou em uma narrativa guiada pelo anti-imediatismo, tratando a música como espaço de pausa, acolhimento e conexão.

Durante a divulgação do projeto, Lucas desenvolveu conteúdos que dialogam com ansiedade, desgaste emocional e a pressão contemporânea produzida pela hiperconectividade. Uma das ações centrais foi uma “campanha de não pré-save”, substituindo chamadas tradicionais por mensagens como “ouça quando puder”.

A proposta também aparece em “Cada Passo”, faixa que traz o verso: “se essa música te achou, ouve sem pressa, pode ser o que você precisava ouvir”.4 FOTO: Pasta – Google Drive

A narrativa criada pelo artista também ironiza sua própria relação com algoritmos, trends e formatos virais. Inicialmente apresentado como alguém avesso à dinâmica das redes, Lucas passa a “ceder” gradualmente aos ganchos típicos da internet, em uma construção que reflete justamente a ansiedade produzida por esse ambiente digital.

Foto: Divulgação.

O tema atravessa diretamente o álbum. Em “Vamos Juntos”, por exemplo, Lucas transforma a ansiedade em personagem e conduz a canção como uma conversa íntima com esse sentimento.

Em apresentações ao vivo, muitas pessoas chegaram a interpretar a faixa como uma música romântica, quando, na verdade, ela foi escrita representando sua própria ansiedade.

“Cada Passo” aborda a exaustão emocional e a quase desistência da carreira musical diante das dificuldades de seguir produzindo arte em um cenário cada vez mais instável. A faixa-título, “Todas as Canções”, sintetiza o conceito do disco ao tratar a música como elemento capaz de criar conexão e estimular novos olhares sobre a realidade.

Produzido por Dadi Carvalho – músico com trajetória ligada a nomes como Novos Baianos, Barão Vermelho, Caetano Veloso, Marisa Monte e Tribalistas – em coprodução com o próprio Lucas Felix, o álbum reúne oito faixas que transitam entre MPB, folk e pop contemporâneo.

Gravado no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, o projeto contou com músicos atuantes na cena nacional, como Marcelo Costa, Alberto Continentino, Rodrigo Tavares, Canequinha e Antonio Neves.

O processo de gravação priorizou a interação ao vivo entre os músicos, reforçando o caráter orgânico do trabalho. Com “Todas as Canções”, Lucas Felix transforma inquietações emocionais contemporâneas em ponto de partida para um disco que propõe uma escuta menos ansiosa em tempos de excesso.

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