Todo mês de agosto a cor lilás ganha espaço nas redes sociais, nas empresas, nas escolas e nos prédios públicos em uma campanha criada para ampliar a conscientização sobre a violência contra a mulher e reforçar a Lei Maria da Penha, que completa 20 anos em 2026. E cada vez mais o Agosto Lilás tem falado também sobre trabalho, empreendedorismo, educação financeira e geração de renda.
Se a violência tira da mulher o direito de decidir sobre a própria vida, toda oportunidade que amplia a liberdade de escolha também passa a fazer parte dessa conversa.
Segundo o Sebrae, as mulheres já comandam cerca de 10 milhões de pequenos negócios no Brasil e representam aproximadamente 34% dos empreendedores do país. Além disso, elas já são responsáveis por quase metade dos lares brasileiros. Ainda assim, a dependência financeira continua sendo um dos principais fatores que dificultam o rompimento de relações abusivas, segundo estudos e levantamentos sobre violência doméstica. Isso significa que, para milhões de famílias, a renda da mulher não é apenas um complemento. É o que sustenta a casa, coloca comida na mesa, garante o futuro dos filhos e, em muitos casos, amplia as possibilidades de reconstruir uma vida.
Talvez seja por isso que tantas iniciativas do Agosto Lilás passaram a incluir cursos de capacitação, incentivo ao empreendedorismo, educação financeira e programas de empregabilidade. A campanha continua falando sobre acolhimento, denúncia e justiça e também passou a olhar para a autonomia das mulheres, que pode ser extremamente impactante para que ela possa se libertar de uma situação abusiva.
Não porque um emprego ou o próprio negócio resolva a violência, mas sem dúvidas amplia as possibilidades. Dá condições para planejar, decidir e recomeçar em um caminho que dependa cada vez mais das próprias escolhas.
Ao longo deste mês, cidades de todo o país promovem ações do Agosto Lilás que vão muito além das campanhas de conscientização. Além de palestras e rodas de conversa, muitas prefeituras, governos estaduais, universidades e organizações da sociedade civil estão oferecendo cursos de capacitação, feiras de empregabilidade, oficinas de educação financeira, orientações para empreendedoras e outras iniciativas voltadas à autonomia econômica das mulheres. Vale a pena acompanhar a programação da sua cidade, muitas são gratuitas e abertas ao público. E, se você ou alguma mulher próxima estiver vivendo uma situação de violência, lembre-se de que o Ligue 180 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, oferecendo orientação, acolhimento e encaminhamento para a rede de proteção.
Durante muito tempo, falamos sobre proteger mulheres e essa conversa continua sendo indispensável, pois agora estamos entendendo que fortalecer mulheres também faz parte da solução. Quando uma mulher estuda, conquista uma promoção, abre uma empresa ou encontra uma oportunidade de trabalho, ela está construindo a sua liberdade de escolhas.

